Já falei
aqui muitas vezes do ponto de não retorno. Da quantidade de coisas que podemos
preferir guardar para nós, para não deitarmos tudo a perder, do auto-controlo
que é preciso ter para moderar o tom e evitar uma carnificina verbal. Acho que
a idade é a grande responsável por isto, ao nos sabermos conscientes, somos
mais tolerantes e adquirimos capacidades de compreensão maiores. Só que quem
muito compreende, muito se lixa.
Pois bem,
chega uma hora em já chega. Chega uma hora em que há que soltar o negócinho da
granada e deixar explodir, que se lixe a ressaca moral, teremos tempo para nos
perdoarmos, para pedirmos perdão, se for o caso, o que não dá, mesmo, é para
viver assim, a pisar ovos, a pouparmo-nos a tudo, a aturarmos tudo, uma vida inteira.
Normalmente,
não resolvemos com quem de direito e vimos pra net usar os assuntos do mundo
para expiar a raiva e a frustração criadas por alguém de quem gostamos, e pela
nossa incapacidade de lhe responder à altura. Ou por nos correr mal a vidinha e
não olharmos para o nosso tanque, cheio de roupa a acumular, preferindo mandar
bitaites na forma como o outro deveria lavar a roupa dele.
Pois está
na hora de direcionar a raiva a quem a provoca. E mandar à merda, se for o
caso. Aliás, mandar à merda devia ser direito constitucional. Acho que é
nesse momento que nos reconhecemos falíveis, nem bons nem maus, melhores nem
piores, mas iguais a todos os outros.
É isso,
somos falíveis, somos monstros e anjos, bons e maus, loucos e sãos, e para que
um dos extremos não nos leve pra cadeia, ou o outro para um sanatório, o melhor é ir soltando aos poucos, antes
que a nossa cabeça vire uma bomba atómica e exploda. Bardamerda, que
se exploda outro que não eu. A verdade é
esta, ninguém, ninguém é importante o suficiente, indispensável o suficiente,
para se poder dar ao luxo de acabar connosco, ou ninguém, ninguém merece que nos
destruamos em prol de outrem, nem mesmo de um trabalho. E se há alguém assim na nossa vida, pois está na
hora de o mandar embora, garanto, não fará falta nenhuma.
*Título roubado aos Clash





